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Medo de arriscar barra sucesso de pequenas empresas de tecnologia no Brasil

 

Se as pequenas empresas de internet – firmas jovens, embrionárias, recém-criadas ou ainda em fase de constituição, implementação e organização de suas operações, apelidadas de startups – ainda não geraram um Google ou um Orkut, a “culpa” não é só de seus empreendedores.


Especialistas ouvidos pelo R7 contaram que se, por um lado, a maioria das startups não possui uma ideia inovadora ou um plano de negócios sólido, capaz de atrair investimentos estrangeiros, por outro, as empresas de investimentos de risco nacionais preferem apostar em adaptações de produtos que já deram certo lá fora do que apostar em projetos ousados que correm o risco de não vingar comercialmente. 

Segundo o IDC, empresa de pesquisas sobre o mercado de TI, o Brasil já conta com uma base instalada de 51 milhões de PCs, ou um computador para cada quatro pessoas, à frente de países como Índia (um para cada 28 pessoas) e China (um para cada sete). O país também tem atualmente 61 milhões de usuários, ante 32 milhões da Rússia e 50 milhões da Índia, perdendo apenas para a China, que tem 353 milhões. 

Embora o país seja campeão mundial no uso da internet, com 64 horas 55 minutos e 39 segundos por mês, segundo o último levantamento do Ibope Nielsen Online, “à frente de nações como França, Japão e Estados Unidos”, os peritos em internet no Brasil dizem que uma das principais dificuldades enfrentadas pelo país para criar produtos inovadores na internet é a própria cultura nacional, que dá mais valor aos produtos estrangeiros do que aos nacionais. 

Brasileiro prefere emprego na Microsoft do que trabalhar em uma startup

Alexandre Freitas, executivo-chefe da rede social argentina Sonico (pronuncia-se Sônico), uma startup que tem apenas três anos e até hoje só recebeu um único aporte de investimentos, explica que “os talentos brasileiros acham mais natural aceitar um convite da Microsoft do que trabalhar em uma empresa de internet como o Sonico”. Para o presidente da rede social, vários fatores explicam por que a Argentina tem feito mais sucesso do que o Brasil na Europa. 

- Eles têm baixo analfabetismo, investiram nas universidades, têm um alto acesso à leitura, são mais cultos e têm mais ambição do que nós de sair na frente. 

Já para Ronaldo Roveri, gerente de análise de mercado da empresa de pesquisas de TI (Tecnologia da Informação) IDC, existe uma grande demanda por aplicativos voltados para a computação em nuvem, que permitirá ao usuário acessar dados e rodar programas à distância pela internet. Com isso, será necessário o desenvolvimento de aplicativos que serão vendidos como serviço na rede, fazendo com que as pessoas só paguem pelo que consomem. 

- Mas não vejo empreendedores de internet desenvolvendo programas que ofereçam o e-commerce (comércio eletrônico) e a computação em nuvem como serviços para a classe C. Ninguém parece estar mirando esse mercado. 

Para o executivo-chefe da Sambatech, empresa que oferece soluções de geração de vídeos em tempo real para os principais grupos de mídia do país, e que, desde 2007 mantém uma parceria de consultoria com o MIT, o maior problema no país é que, “como as empresas de capital de risco não têm tanto dinheiro como as lá de fora, preferem apostar em projetos mais palpáveis, com menor probabilidade de fracasso”. 

- Por isso, elas acabam investindo em cópias (ou adaptações) de projetos que já deram certo lá fora. Preferem lançar um negócio que vai dar dinheiro porque é mais seguro. Outro fator é que, aqui no Brasil, fazemos produtos muito focados no mercado nacional. Já o americano pensa em produtos para o mundo inteiro. 

Planejamento é o maior ponto fraco das empresas nacionais

Edson Mackeenzy, fundador do Videolog, um site de compartilhamento de vídeos pioneiro, que foi lançado em maio de 2004, antes do próprio YouTube, explica que “apesar de o brasileiro ser muito receptivo ao que vem de fora, ele tem dificuldade para entender e usar tecnologias feitas aqui”. Mack, como prefere ser chamado, acrescenta que além do problema cultural, as startups também penam para conseguir um simples empréstimo no banco ou a atenção da mídia tradicional. Mas, para ele, o ponto fraco do brasileiro é a organização antes de começar um negócio. 

- Quando pedem às empresas que apresentem um plano de negócios, as pessoas se assustam. Por isso, recomendo a quem quiser montar um plano sólido que faça o curso Empretec da ONU, gerenciado pelo Sebrae no Brasil, que ensina todo o passo a passo para um empresa se dar bem no mercado.

Seja como for, para as startups que precisam de ajuda para se tornarem maduras e fazerem sucesso, uma boa oportunidade é participar do Desafio Brasil, competição que já está em sua quinta edição. 

Coordenado pelo GVcepe (Centro de Estudos de Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas) e apoiado por companhias como Intel e Microsoft, o concurso acontece todos os anos desde 2006 e premia os projetos mais inovadores do setor de tecnologia. 

Além de prêmios de mais de R$ 50 mil, os vencedores têm direito a assessoria jurídica, consultoria em planos de negócios, softwares e a chance de participar do Desafio Intel, competindo por equipes da América Latina.

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